Rastrear vendas de creators combina dois mecanismos independentes: links com parâmetros UTM, que identificam a origem do tráfego que chega ao seu site, e cupons por creator, que identificam a origem do pedido no checkout.
Os dois capturam recortes diferentes, e nenhum captura tudo. Quem clicou no link e comprou aparece no primeiro. Quem viu o story, procurou a marca no navegador e digitou o cupom aparece no segundo. Quem viu, não usou nada e comprou uma semana depois não aparece em lugar nenhum, e essa parte existe em toda campanha.
Entender esse recorte é o que separa um relatório útil de um número que promete mais do que sustenta.
O rastreamento é a quarta frente de uma operação de creators organizada, e precisa estar configurado antes da etapa de publicação de qualquer campanha. Depois do post no ar, não há como reconstruir.
Parâmetros UTM: o que são
UTM são parâmetros acrescentados ao fim de uma URL para dizer à ferramenta de analytics de onde veio aquela visita. Eles ficam visíveis no endereço:
https://sualoja.com.br/cafe?utm_source=instagram&utm_medium=creator&utm_campaign=lancamento_capsula
A documentação do Google Analytics recomenda que três parâmetros estejam sempre presentes:
| Parâmetro | O que responde | Exemplo |
|---|---|---|
utm_source | De qual plataforma veio | instagram, tiktok, youtube |
utm_medium | Por qual tipo de canal | creator, email, cpc |
utm_campaign | De qual campanha | lancamento_capsula |
Há outros parâmetros opcionais. utm_id identifica a campanha por código,
utm_content distingue variações dentro da mesma campanha, utm_term guarda a
palavra-chave em mídia de busca, e utm_source_platform registra a plataforma
que originou o tráfego. A mesma documentação lista ainda
utm_creative_format e utm_marketing_tactic, que são aceitos mas não
aparecem nos relatórios atuais.
Para campanha com creators, o arranjo que costuma funcionar é usar os três
obrigatórios mais utm_content para identificar quem publicou. Assim a
campanha agrupa e o conteúdo separa por creator.
A convenção de nomes
O que estraga relatório de campanha não é a falta de UTM. É a inconsistência:
utm_source=Instagram, utm_source=instagram e utm_source=insta na mesma
campanha viram três origens diferentes, e ninguém percebe até tentar somar.
Defina a convenção antes da primeira campanha e escreva num lugar consultável:
- Sempre minúsculas. Sem exceção.
- Sem acento e sem espaço. Use
_ou-, e escolha um dos dois para sempre. - Vocabulário fechado para
utm_sourceeutm_medium. Uma lista curta de valores permitidos, não texto livre. - Padrão para
utm_campaign. Por exemploobjetivo_produto_mesano, sempre na mesma ordem. utm_contentidentifica a creator, com o mesmo identificador em todas as campanhas. O @ público funciona bem, porque é estável e não se repete.
Escreva os links num lugar só, e gere a partir de um modelo em vez de digitar. O Google mantém uma ferramenta oficial para montar essas URLs, a Campaign URL Builder (abre em nova aba), que serve para conferir o formato quando surgir dúvida.
Cupons: o que capturam
O cupom por creator resolve o caso que o link não alcança: a pessoa viu o conteúdo, não clicou, foi à loja por outro caminho e digitou o código no checkout.
A associação acontece no pedido, não na visita. Isso muda algumas coisas:
- Funciona sem clique. Cobre story sem link, vídeo em plataforma sem link clicável, e conteúdo consumido em um dispositivo com compra em outro.
- Sobrevive ao tempo. Quem guarda o cupom e compra semanas depois continua atribuído.
- É um dado do pedido. Fica no seu sistema de vendas, não depende da ferramenta de analytics.
Se você usa Google Analytics 4 com e-commerce configurado, a documentação de
eventos recomendados do Google define um parâmetro coupon que acompanha
eventos como add_to_cart, begin_checkout, purchase e refund. Ele existe
tanto no nível do evento quanto no nível do item, e os dois são independentes.
Quando o seu e-commerce envia esse parâmetro, o cupom passa a aparecer também na
análise, e não só no relatório de pedidos.
Regras práticas para cupons de creator:
- Um código por creator, não um código por campanha compartilhado.
- Fácil de falar e digitar. Se a pessoa vai ouvir num vídeo, tem que escrever certo de primeira. Evite números e letras ambíguas.
- Com validade. Cupom eterno continua rendendo atribuição muito depois da campanha ter acabado, e polui o balanço.
- Registrado antes da publicação. Cupom criado depois do post gera erro de checkout e perde a venda.
Onde cada mecanismo falha
Nenhum dos dois é completo, e o relatório precisa dizer isso.
O link perde:
- Quem não clica, que é a maioria em conteúdo de vídeo
- Quem clica, sai, e volta depois por outro caminho
- Quem abre no navegador interno do aplicativo e depois compra no navegador normal, porque a sessão não é a mesma
- Compra em dispositivo diferente do que consumiu o conteúdo
- Parâmetros perdidos em redirecionamento mal configurado
- Ferramentas e configurações de privacidade que limitam o rastreamento
Há ainda um detalhe do modelo de atribuição que costuma passar despercebido: a documentação do Google Analytics registra que todos os modelos de atribuição excluem visitas diretas do crédito, a menos que o caminho até a conversão seja composto apenas de visitas diretas. Ou seja, a visita direta que fecha a compra não rouba o crédito da origem anterior, mas isso também significa que o desenho do relatório depende do modelo escolhido.
O cupom perde:
- Quem compra sem usar o código, por esquecimento ou porque já havia desconto
- Quem usa o cupom de outra creator, ou o que encontrou num agregador
- Cupom compartilhado fora do público da creator, que infla a atribuição
Os dois juntos ainda perdem a compra influenciada sem clique e sem código, que é justamente onde mora boa parte do efeito de conteúdo.
Evitando contagem dupla
Quando a pessoa clica no link e usa o cupom, a mesma venda aparece nos dois mecanismos. Somar os dois relatórios infla o resultado.
Duas formas de tratar:
- Escolher uma fonte de verdade para o total. Normalmente o relatório de pedidos do e-commerce, porque nele cada venda existe uma vez. O analytics entra para explicar o caminho, não para somar.
- Definir uma regra de prioridade explícita, por exemplo: se o pedido tem cupom, atribui ao cupom; se não tem, atribui pelo parâmetro de campanha. Escreva a regra e mantenha em todas as campanhas.
Qualquer uma serve. O que não serve é somar sem regra e comparar campanhas que foram contadas de formas diferentes.
Erros comuns
Encurtador que descarta parâmetros. Alguns encurtadores não repassam a query string. Teste abrindo o link encurtado e confirme que os parâmetros continuam na URL final.
Redirecionamento que perde a query. O mesmo problema, dentro do seu site.
Se sualoja.com.br/cafe redireciona para /produtos/cafe, confirme que os
parâmetros sobrevivem.
UTM em link interno. Colocar parâmetro de campanha em link entre páginas do próprio site inicia uma nova sessão e sobrescreve a origem real da visita. UTM é para tráfego que chega de fora.
Cupom ativado depois do post. O primeiro comprador encontra erro no checkout e desiste. Ative antes.
Mudar a convenção no meio da campanha. O histórico fica partido em duas e a comparação some.
Não testar. Abrir o link uma vez, no celular, antes de enviar à creator, custa trinta segundos e evita descobrir o erro quando o conteúdo já está no ar.
Checklist antes de publicar
- Convenção de nomes definida e escrita num lugar consultável
- Todos os valores em minúsculas, sem acento e sem espaço
-
utm_source,utm_mediumeutm_campaignpresentes em todos os links -
utm_contentidentifica a creator, com o mesmo identificador de sempre - Cada link foi aberto uma vez e caiu na página certa, com os parâmetros intactos
- Cupom criado, ativo e testado no checkout
- Validade do cupom definida
- Regra de prioridade entre link e cupom escrita
- Fonte de verdade do total definida
- A ressalva de atribuição parcial está no relatório
Onde o To Be Creators entra
No To Be Creators, a creator gera o link rastreável dentro da plataforma, já vinculado à empresa, à campanha e ao produto aos quais ela tem acesso. A convenção sai padronizada por construção:
utm_mediumé fixo emcreator, sem opção de alterarutm_sourcevem da plataforma escolhidautm_campaignsegue a prioridade campanha, briefing, empresautm_contentidentifica quem publicou- Parâmetros já presentes na URL de destino são sobrescritos pelos gerados
Isso resolve a inconsistência de grafia, que é a causa mais comum de relatório partido. Do lado da empresa, cupom e link ficam registrados por creator e por empresa, e as vendas por cupom são lançadas no painel com quantidade, valor, data e canal.
Vale ser explícito sobre o limite: o lançamento das vendas por cupom é manual. A plataforma não se conecta ao seu e-commerce nem importa pedidos sozinha. Ela organiza o registro e o histórico; a origem do número continua sendo o seu sistema de vendas.
Fontes
- URL builders: Collect campaign data with custom URLs (abre em nova aba) — Google Analytics Help. Acesso em 1 de agosto de 2026.
- Get started with attribution (abre em nova aba) — Google Analytics Help. Acesso em 1 de agosto de 2026.
- Recommended events (abre em nova aba) — Google Analytics Developers. Acesso em 1 de agosto de 2026.
- Campaign URL Builder (abre em nova aba) — Google. Acesso em 1 de agosto de 2026.